“Vaidade demais”

Olá!!!

Em tempos de selfiewishlist e ostentações, muitas vezes reflito sobre a superficialidade dos valores. Há tanto egocentrismo, consumo desenfreado, exibicionismo, gente seguindo tendências de consumo sem se questionar… me parece que andamos um pouco perdidos.

Pensando em tudo isso, gostaria de compartilhar com vocês o texto abaixo, “Vaidade demais”, da colunista Lisandra Pioner, publicado em 11 de julho no caderno Vida do jornal Zero Hora. Achei um texto excelente, com argumentos claros e plausíveis, um retrato fiel e abrangente do que temos visto por aí.

“Vaidade demais

Por Lisandra Pioner

E então a gente depara com uma lógica cada vez mais utilizada na sociedade contemporânea: “Consumo, logo existo”. E nem percebemos que somos seduzidos por ela e que (pior!) a reproduzimos para nossas crianças – produtos desse processo.
Muitas vezes nem é algo consciente, está intrínseco em nossas ações. É a academia que frequentamos à exaustão para atingir o corpo de um ícone qualquer – e que tantas vezes beira o bizarro. A passadinha na estética para fazer escova dia sim, dia não. O décimo scarpin preto – afinal, é um clássico, e clássicos nunca são demais. É o terceiro relógio que compramos no ano, sendo que só temos dois braços, e nem se usa um relógio em cada. A tarde do botox, que frequentamos como se fosse o chá das cinco. É o carro que chega a 200km/h em cinco segundos, sendo que as estradas só permitem cento e poucos e, se considerarmos o estado das dita cujas, nem chegaríamos a 80km/h na maioria delas. É o lustre da sala que custa o preço de um apartamento modesto. É a chuteira “verde-limão”, a “amarelo-canário”, a “rosa-cheguei”, a “laranja-mecânica”, a “prata-efervescente” e a “dourada-só-os-melhores-têm” que precisamos dar ao filho – até porque todos os amiguinhos têm.

E assim vamos dizendo, ou melhor, mostrando a eles, por meio de nossos atos inflamados e compensatórios, que ter é imprescindível. E ser vem de ter, e não o contrário.

A vaidade nunca foi tão grande e jamais o mercado obteve tanto lucro por meio da aquisição de produtos dispensáveis. A valorização exagerada da estética e a precocidade em relação a comportamentos fazem das crianças e adolescentes alvos fáceis e mira indispensável das grandes empresas.

A preocupação com a saúde, o cuidado consigo, a vontade de ser melhor e de conquistar espaço e respeito são totalmente compreensíveis, aceitáveis e até mesmo admiráveis. Mas há um desvio nesse caminho que está truncando todo o processo de crescimento emocional, social e moral das novas gerações. É tão exposta a necessidade de ostentar – independentemente do nível socioeconômico – que todo discurso que remeta à importância inexorável de ser, refletir, evoluir como pessoa,  progredir por esforço e força de vontade soam como aborrecimento e papo de “gente velha”. E eu entendo por gente velha aquelas pessoas que sabiam muito mais o valor do que tinham, pois nele estava subentendido o quanto lutaram para possuir, do que o preço que custou.

A vaidade leva ao consumismo, que leva ao exibicionismo, que leva à desvalorização do que não é material, que, por conseguinte, não leva a lugar algum.

Hoje não se degusta um bom prato sem antes tirar aquela foto básica para postar. Ninguém visita um lugar paradisíaco sem uma selfie. Ninguém vê o teatrinho do filho sem antes tirar uma bela foto do melhor ângulo – mesmo que isso signifique não prestar atenção ao que a criança está apresentando. O prazer deixou de ser viver, gozar, apreciar e passou a ser exibir. Se a pessoa foi ou fez, mas não tem dezenas de pessoas cientes disso, qual é a graça?

A graça talvez esteja exatamente na paz prudente do anonimato, ali onde as pessoas valem pelo que são, e têm mais sentimentos e sensações do que bens materiais.”

Espero que tenham gostado!

Beijos,

Gi

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