Mais sobre (a verdadeira) Erin Brockovich

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A “verdadeira” Erin Brockovich

Eu até tinha uma vaga lembrança de que o filme Erin Brockovich fosse baseado em uma história real, mas já não tinha certeza. Eis que, pesquisando para o post, descobri a “verdadeira” Erin e encontrei não apenas seu site oficial, como também uma entrevista que concedeu à revista Veja em 2004.

Abaixo estão algumas das perguntas e respostas que achei mais interessantes, e clicando aqui você confere a entrevista completa. A entrevista é de Rosana Zakabi.

“Eu nunca desisto”

“Nos anos 90, a americana Erin Brockovich trabalhava num escritório de advocacia, como arquivista, quando se interessou pelo caso de uma empresa de eletricidade cujos dejetos estavam contaminando com substâncias tóxicas a água de uma pequena cidade da Califórnia.

Durante cinco anos, ela visitou diariamente as famílias que viviam na cidadezinha, acompanhando os casos de envenenamento e reunindo provas para abrir uma ação judicial contra a companhia. Não desanimou até ganhar a causa, no valor de 333 milhões de dólares – dos quais recebeu uma comissão de 2,5 milhões.

Sua extraordinária história de coragem e persistência foi contada em 2000 no filme que leva seu nome e deu um Oscar a Julia Roberts pelo papel-título. Até hoje Erin trabalha na mesma firma, como diretora de pesquisas. Dá palestras e presta consultoria sobre processos envolvendo resíduos tóxicos.

Ela formou-se em moda e design, já foi corretora de seguros, vendedora numa loja de roupas masculinas e miss Costa do Pacífico. Aos 43 anos, vive com o terceiro marido e três filhos. Na semana passada, Erin concedeu a seguinte entrevista a VEJA.

Veja – A senhora acreditou numa causa, lutou por ela até o fim e venceu. O que é preciso para seguir seu exemplo?
Erin Brockovich – A atitude de cada um de nós faz toda a diferença e pode mover montanhas. Se uma pessoa ousa dizer: “Isso está errado, e eu posso mudar essa situação”, outras se sentem estimuladas a seguir o mesmo caminho. Quando você se dá conta, já criou um movimento poderoso. Muitas vezes não temos consciência do tamanho de nossa capacidade. Ela geralmente é muito maior do que imaginamos. Mas primeiro precisamos aprender a gostar mais de nós mesmos e acreditar que somos capazes de realizar qualquer coisa que tenhamos vontade. Isso nos dá mais coragem e confiança para ousar e fazer o que parece impossível. Se pensamos assim, mesmo em caso de fracasso vamos tentar novamente até atingir nosso objetivo.

Veja – A senhora especializou-se em ações contra empresas que contaminam o meio ambiente. Em sua opinião, as grandes corporações são inconseqüentes quanto à questão ambiental?
Erin – A sociedade em geral tornou-se nos últimos anos mais consciente em relação ao meio ambiente. As pessoas começaram a perceber que, se não cuidarmos dos recursos naturais, as conseqüências vão recair sobre a saúde dos nossos filhos, dos nossos netos. A maioria das grandes corporações está consciente disso. Mas algumas, infelizmente, não estão preocupadas com o dano que provocam ao meio ambiente. Poluem a água, o solo, o ar e, dessa forma, contaminam as pessoas que vivem nas proximidades, o que é muito grave. Muitos morrem devido aos problemas de saúde causados pela contaminação, e essas empresas não estão nem um pouco preocupadas com isso. Cinqüenta moradores morreram vítimas da contaminação depois que ganhamos a ação contra a PG&E, aquele caso famoso que virou filme. Se nada tivesse sido feito, o número de mortos teria sido bem maior.

Veja – A senhora não teve medo de enfrentar uma grande corporação?
Erin –Não, porque havia uma força muito maior que me movia naquele momento: a vontade de ajudar as pessoas atingidas pela contaminação e o senso de justiça. Quando descobri que a vida daqueles moradores estava em perigo e que a culpa era de uma empresa de eletricidade, passei a desejar que a justiça fosse feita. No início, todo mundo, inclusive meu chefe no escritório de advocacia, achou que eu estivesse louca pela simples idéia de querer mover a ação. Aos poucos, devido à minha persistência, começaram a acreditar que poderíamos vencer aquela batalha.

Veja – O que a atraiu em especial no caso da contaminação causada pela empresa de eletricidade?
Erin – Os relatos das vítimas despertaram minha atenção. Li sobre o caso e fiquei curiosa para conhecê-las. Aos poucos, aquelas pessoas começaram a se tornar parte de minha vida. Todos os dias eu ia até a cidadezinha atingida pela contaminação e elas faziam hambúrguer e cachorro-quente para mim. Ficaram minhas amigas, tão próximas que algumas se tornaram parte de minha família. Gostava delas. Comecei a encarar minha luta não como um trabalho, e sim como algo que eu fazia pelas pessoas que amava e queria bem. Eu me preocupo com o bem-estar das pessoas, das famílias, das crianças. E todos nós estamos no mesmo barco, respiramos o mesmo ar, compartilhamos os mesmos recursos naturais. Meu grande desafio é fazer com que as pessoas acreditem que vale a pena lutar pela saúde de sua família.

Veja – A senhora é uma mulher bonita. Isso ajuda ou atrapalha no trabalho?
Erin –Não me acho tão bonita assim, mas sei que chamo atenção pelo fato de ser loira, alta, determinada. Por causa disso, as pessoas que acabo de conhecer geralmente ficam com uma boa impressão, e isso é muito positivo.

Veja – O filme sobre sua vida a retratou de forma correta?
Erin – Eu realmente sou daquele jeito. O fato é que nós nunca temos nada a perder na vida quando decidimos ajudar os outros e fazê-los sentir-se bem. No caso mostrado no filme, assim como em todos os outros a que me dediquei posteriormente, sempre pensei da seguinte forma: não tenho nada a perder, e tudo a ganhar. O filme mostrou isso de forma correta.

Veja – Como a senhora concilia carreira e filhos?
Erin –Não é nada fácil. Hoje, meus filhos já são crescidos. Matthew tem 21 anos, Katie, quase 20, e Elizabeth, que era um bebê na época do processo contra a firma de eletricidade, já está com 13. Se você me tivesse feito essa pergunta há dez anos, eu provavelmente diria: é um martírio conciliar carreira e crianças. Quando são muito novos, os filhos querem exclusividade 24 horas e não entendem que você não pode estar o tempo todo com eles. Então, quando você chega à noite em casa, eles estão tristes, e você acaba ficando triste por eles. Era mais difícil ainda porque me separei cedo de meu primeiro marido, e as crianças não entendiam e não aceitavam. Mas, conforme meus filhos começaram a crescer e se tornar mais maduros, eles passaram a entender que a mãe deles trabalha fora porque precisa, e não porque não se importa com eles.

Veja – De onde a senhora tira tanta valentia?
Erin –De certa forma, foi o fato de sofrer de dislexia que me tornou persistente para conseguir as coisas. Na escola, eu tinha de me esforçar duas vezes mais que os colegas para obter os mesmos resultados. Com o tempo, comecei a pensar da seguinte forma: se uma porta se fecha, uma janela se abre. Ou seja, se não consigo obter aquilo de que preciso agindo da forma como todo mundo age, por ser disléxica, tenho de descobrir outras formas de conseguir os mesmos resultados, ou até resultados melhores.

Veja – A senhora é feliz?
Erin – Sim, e certamente sou mais feliz hoje que há dez anos. Porque todos os dias procuro aprender com meus erros e acertos, adquirir mais experiência de vida. E, quanto mais sabedoria eu tenho, mais confiança eu ganho. E, quanto mais confiante, mais feliz me sinto.

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